Mais uma 6ª feira chegou e com o raiar do dia a perspectiva de mais uma batalha. Desta vez o nível de plaquetas estava nos conformes, ao contrário da última 6º em que os valores rondavam os 85 000, quando o normal toca os 150 000. Após as provas de agregação, as viagens, a excitação de rever os amigos e a minha querida amada ... tudo isto foi demais para as minhas plaquetas e claro que a dose anterior de guerra química teve o seu papel principal nesta história. Na 4ª feira anterior as análises indicavam o valor de 180 000, já acima dos valores mínimos normais e estava confiante de que estava preparado para mais uma batalha. E assim foi! Após a conversa habitual de despitagem de problemas na semana anterior, sentei-me no sofá e foquei-me no direccionamento de cada gota daquele líquido transparente mas potente para queimar os caranguejos que me assolam.
Em cada sessão levo qualquer coisa para ler, para ajudar a passar o tempo, e desta vez aproveitei uma generosa oferta do Gonçalo Tavares e desfolhei “O Senhor Calvino”. Foi uma agradável surpresa. A cada página, a cada nova pequena história soava uma gargalhada o que surpreendia os meus companheiros de quarto. Como é possível estar a levar em cima com cargas químicas e ainda por cima rir-se desalmadamente! Pena foi que o livro acabou num abrir e fechar de olhos, mas sendo assim aproveitei para o ler duas vezes e mesmo à segunda foram rasgados de novo inevitáveis sorrisos.
Quando a leitura acabou fixei-me no que me rodeava e observei um dos meus companheiros a realizar um Electrocardiograma. À primeira olhada para o seu peito previ logo problemas. Pelos, pelos e mais pelos. Se mais não fosse pelo menos o retirar dos eléctrodos seria certamente doloroso! Após a primeira tentativa, alguma coisa estava errada. Os resultados da derivação V2 estavam cheios de ruído. A enfermeira estagiária fica preocupada, mas a primeira hipótese que formula tem a ver com os pelos e faz pressão nos eléctrodos. Tentativa e mais tentativa e chega o enfermeiro chefe que tenta a mesma abordagem mas sem grandes resultados. O companheiro começa a ficar preocupado e pergunta: Há alguma coisa de errado com o meu coração? No entanto os enfermeiros estão demasiado preocupados com o material e não o ouvem. Continuam formulando teorias sobre o que estava a passar: Há aqui parasitas no V2. Nova pergunta sobre o coração que não obtem resposta e o homem muda da cor rosada para algo mais esbranquiçado sem que os enfermeiros se apercebam. Foi nessa altura que intervi. – Não! Não se passa nada de errado com o seu coração! O problema tem a ver com os pelos, mas vai certamente agravar-se quando acabar o exame, quando tiver que tirar os eléctrodos. Ele descontrai-se, enquanto os enfermeiros continuam a falar de ruídos parasitas. Aí não resisti e tive que lhe dizer que afinal o problema era de parasitas nos pelos o que o fez dar uma gargalhada. Foi nessa altura que os enfermeiros acordaram e lá tranquilizaram o paciente que o problema era de contacto e que se calhar tinham que cortar os pelos para fazer o contacto adequado. Finalmente conseguem, pressionando um pouco mais, mas o pior estava para vir! O pior claro está para o meu companheiro que confessou nunca, até aquela altura,tinha feito depilação dos pelos do peito!
segunda-feira, 30 de junho de 2008
terça-feira, 24 de junho de 2008
Completamente agregado
Foi uma experiência fantástica!
Voltar a sentir o toque gentil da minha Cláudia, sentir a vibração da sua voz no meu ouvido, sentir os aromas da sua passagem bem perto de mim ... que bom que foi!
Mais que o calor do sol, foi o calor humano o que mais que aqueceu o coração. Tudo começou no aeroporto, acabado de chegar tive a a feliz surpresa da Sofia e depois do Luís, que se cruzaram comigo a caminho do States. Depois foi um desfilar de gente simpática e amiga, que não quiseram deixar de mostrar a sua força solidária, nesta luta contra os caranguejos.
O tempo foi muito curto, muito mais curto que a pura contabilização cronológica. O tempo passou a voar. De repente e já estava no avião de regresso a Paris.
As provas de agregação correram melhor do que estava à espera. Consegui descontroir passados alguns minutos de começar, e acho que consegui disfarçar o cansaço a maior parte do tempo. Foi bom ver gente de todos os quadrantes na assistência, pena só não ter tido tempo para falar com todos eles. Foi bom voltar ao Salão Nobre, onde dei a minha primeira aula teórica, ainda de fraldas, e agora com fraldas um pouco mais compridas a que chamam de toga.
A minha disposição geral alterou-se, o apetite voltou após a colocação com êxito da prótese das vias biliares. A ida ao castelo foi coroada de sucesso e voltei mesmo um dia mais cedo do que estava previsto. Em vez de uma anilha tenho agora um tubo metálico desde a vesícula até ao duodeno e a mensagem que estava inscrita - “Sai bílis, sai” - não podia ser mais apropriada, porque logo que colocada foi “um ver se te avias”!
A cor amarelada perdurou por mais uns tempos, mas agora já praticamente desapareceu e o funcionamento do intestino melhorou substancialmente.
Mas o que mais me animou nos últimos tempos foi a constatação de que o caranguejo que se alojou no meu pâncreas está a sentir os efeitos da guerra química e reduziu de 50 para 39 mm. A ecografia que confirmou o estreitamento das vias biliares permitiu observar este efeito após apenas 3 batalhas da guerra química em que estamos envolvidos.
Sinto-me completamente agregado! Não tanto pelo título mas principalmente agregado de amizade dos amigos e pelos amigos, agregado de solidariedade nesta luta sem quartel contra os caranguejos, agregado de amor e carinho. Sem dúvida que esta confluência de agregações que me dá o alento para as novas lutas que se avizinham para destroçar este bicho infame. Se não fosse por mim, teria a obrigação de lutar por aqueles que sem interesse particular, apenas por amizade e amor, se mobilizaram das mais variadas formas nesta luta contra os caranguejos.
terça-feira, 10 de junho de 2008
A vingança dos patos

Tenho que confessar! Num destes fins de semana passados enquanto deambulávamos por terras de Champagne demos com um restaurante, perfeitamente ao acaso, completamente dissimulado entre as videiras, uma quinta totalmente dedicada à degustação de tudo e qualquer coisa à base de pato. Éramos 4 e havia 4 pratos diferentes numa das ofertas gastronómicas disponíveis. Escolhemos cada um a sua e, além de petiscar cada um dos pratos alheios, a mim calhou-me especialmente um delicioso fígado de pato envolto em aromas campestres, de que não conheço as denominações. Uma carne amarelada, que se desfazia a cada dentada, exalando os subtis sabores do campo. E surpresa das surpresas, em tempos de pouco apetite, o fígado foi todo, assim como todos os acompanhamentos. Para falar verdade a minha escolha recaiu sobre o único prato que não era regado com bebidas alcoólicas, com primazia natural para o champagne. Não é minha intenção deixar-vos as águas na boca, mas os relatos dos meus companheiros de viagem (a Carolina, o Sérgio e a Tia Ana ) foram de prazeria.
Penso agora se não teria sido por isso que o meu próprio fígado se tornou amarelado, como uma vingança à distância dos patos então saboreados. Espero que não ... que não conheço nos patos espírito vingativo ... mas enfim nunca se sabe.
Para atacar os maus fígados há que voltar ao castelo. Amanhã lá estarei de malas e bagagens para mais uns diazitos.
Os senhores do castelo souberam das minhas provas de agregação e da minha viagem a terras lusas para a defesa correspondente e assim apressaram tudo, de forma a que estivesse em forma, daqui a exactamente uma semana! Espantoso, não é?! Quais filas de espera, quais empurrões para os castelinhos privados ... não! Vamos adiantar uma semana, que é para ele poder fazer as provas mais descansado! É fabuloso!
Já que estamos em maré de aves vem-me à lembrança os métodos antigos de comunicação com pombos que transportavam anilhas. É o que vai acontecer comigo!
Mas claro que sabem que os métodos de guerra evoluíram desde a primeira guerra mundial. Agora as anilhas não são postas nas patas. São colocadas cá dentro do corpo de forma a ficarem bem dissimuladas, mais exactamente nos canais biliares (o que os serviços secretos inventam, não é?!) Sem dúvida que vai ficar bem escondido. Quem é que se lembraria de procurar, logo ali, nos canais biliares?
A mensagem que lhe está apensa diz com todas as letras: Sai bílis, sai! Se não perceberem, não faz mal! Isto está escrito em código.
Sempre tive um tom amarelado o que, associado aos meus olhos achinesados, fez com que frequentemente me perguntassem se não tinha origem oriental. A todos sempre respondia que sim, que era descendente de um bispo chinês. A maior parte das vezes ficavam na dúvida! Agora com a acentuação desta coloração talvez já acreditem. Mas espero que seja por pouco tempo. Os senhores do castelo estão a tratar disso e com o contributo das anilhas, espero chegar a Portugal tão rosado quanto cheio de energia para combater os caranguejos e qualquer outra luta que se avizinhe.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Hoje estou melhor que ontem! Amanhã vou estar melhor que hoje!
Esta foi a frase que escolhi para me fazer companhia nos últimos tempos. Ela não foi construída ao acaso. Escolhi algo que não fosse dito automaticamente mas que me obrigasse a pensar a cada frase evocada, pensada ou dita expressamente. Ela é o símbolo da minha atitude perante a doença.
Sei que não estou a lidar com caranguejos coxos, cegos de um olho ou distraídos e que é preciso um grande empenho para lutar contra eles. Mas como em qualquer luta de vida ou de morte, há que encontrar todas as armas possíveis e imaginárias para derrotar os inimigos.
Ao longo de toda a minha vida profissional lembro-me de ter apenas por uma vez faltado às aulas por doença. Dessa vez estava numa situação inversa à que me encontro agora: o meu intestino teimava em trabalhar a cada 15 minutos. De todas as outras vezes em que adoecia teimava em ir trabalhar. Nunca encarei a doença como um argumento para não realizar as tarefas a que me comprometi, ou que me dão prazer. Talvez por isso não era fácil aceitar a doença como algo incapacitante, o que me alterava sem dúvida o humor. Agora nesta luta, contra os nossos inimigos patudos e peludos, tento fazer exactamente o mesmo. Sei que o meu empenho e a minha capacidade de trabalho está diminuída, mas mesmo assim forço-me a não abandonar as tarefas principais em que estava envolvido antes da declaração oficial de guerra.
Em situações extremas, quer elas tenham a ver com estas guerras ou em competições desportivas, os processos de auto convencimento são determinantes do sucesso. Um dos trabalhos que frequentemente cito em cursos de graduação ou pós-graduação, refere a maior concretização no putt do golfe quando o atleta está convencido que vai concretizar. Vários estudos indicam coisas semelhantes em actividades desportivas muito diferentes.
No decorrer das minhas actividades de treinador de corfebol em que estive envolvido nas duas épocas anteriores a esta, uma das minhas preocupações fundamentais prendeu-se com a mobilização dos recursos psicológicos com vista ao sucesso. Solicitei aos atletas que encontrassem as frases chave capazes de mobilizar as suas energias com vista ao sucesso: “Vai correr bem”, “Vamos ganhar”, “Vamos dar a volta ao resultado” ou qualquer outra que se ajustasse à situação e ao atleta. Esta estratégia tem demonstrado resultados em várias situações de alta competição. Em qualquer situação há sempre possibilidade de encontrarmos aspectos positivos. Lembro-me de termos perdido 3 jogos seguidos nos Play-offs e eu ter começado a conversa com os jogadores com o que tínhamos ganho com estas derrotas e o que poderíamos ganhar a seguir. Lembro-me também de alguns comentários: “Só tu para encontrares coisas positivas após termos perdido 3 jogos determinantes!”
Sei que não estou a lidar com caranguejos coxos, cegos de um olho ou distraídos e que é preciso um grande empenho para lutar contra eles. Mas como em qualquer luta de vida ou de morte, há que encontrar todas as armas possíveis e imaginárias para derrotar os inimigos.
Ao longo de toda a minha vida profissional lembro-me de ter apenas por uma vez faltado às aulas por doença. Dessa vez estava numa situação inversa à que me encontro agora: o meu intestino teimava em trabalhar a cada 15 minutos. De todas as outras vezes em que adoecia teimava em ir trabalhar. Nunca encarei a doença como um argumento para não realizar as tarefas a que me comprometi, ou que me dão prazer. Talvez por isso não era fácil aceitar a doença como algo incapacitante, o que me alterava sem dúvida o humor. Agora nesta luta, contra os nossos inimigos patudos e peludos, tento fazer exactamente o mesmo. Sei que o meu empenho e a minha capacidade de trabalho está diminuída, mas mesmo assim forço-me a não abandonar as tarefas principais em que estava envolvido antes da declaração oficial de guerra.
Em situações extremas, quer elas tenham a ver com estas guerras ou em competições desportivas, os processos de auto convencimento são determinantes do sucesso. Um dos trabalhos que frequentemente cito em cursos de graduação ou pós-graduação, refere a maior concretização no putt do golfe quando o atleta está convencido que vai concretizar. Vários estudos indicam coisas semelhantes em actividades desportivas muito diferentes.
No decorrer das minhas actividades de treinador de corfebol em que estive envolvido nas duas épocas anteriores a esta, uma das minhas preocupações fundamentais prendeu-se com a mobilização dos recursos psicológicos com vista ao sucesso. Solicitei aos atletas que encontrassem as frases chave capazes de mobilizar as suas energias com vista ao sucesso: “Vai correr bem”, “Vamos ganhar”, “Vamos dar a volta ao resultado” ou qualquer outra que se ajustasse à situação e ao atleta. Esta estratégia tem demonstrado resultados em várias situações de alta competição. Em qualquer situação há sempre possibilidade de encontrarmos aspectos positivos. Lembro-me de termos perdido 3 jogos seguidos nos Play-offs e eu ter começado a conversa com os jogadores com o que tínhamos ganho com estas derrotas e o que poderíamos ganhar a seguir. Lembro-me também de alguns comentários: “Só tu para encontrares coisas positivas após termos perdido 3 jogos determinantes!”

As nossas capacidades são maiores do que o que conhecemos delas, e a mobilização das nossas energias positivas internas tem-se demonstrado útil para ultrapassar situações limite como é o caso da alta competição.
Estou imerso numa alta competição contra os caranguejos e, além da química (que amanhã tem mais um episódio), uso todos os recursos do meu corpo e da minha mente para os derrotar.
Hoje estou melhor que ontem! Amanhã vou estar melhor que hoje!
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Carta de amor
Hoje dou-vos a conhecer a origem de uma grande parte da minha força. A maior parte do tempo estes sentires são expressos em pequenos gestos, em monossílabas, ou no subtil respirar de uma vida lado a lado. Mas há momentos em que a inspiração transborda na beleza das palavras e que as palavras resultam numa carta de amor ... e se há algo que nos dá força é o amor.Meu Amor,Meu Anjo de Luz. Como posso eu dizer-te o quanto te amo?...Como posso eu mostrar-te a beleza e impacto, do teu amor, no meu mundo?...Não posso! Sou tão pequena, uma anã ao pé deste colosso, deste gigantesco SENTIR! ........ As reticências são a única forma de expressão escrita que se aproxima, da quase fatal e infinita pausa que faço na respiração, quando me apercebo do inefável amor que sinto por ti! Contigo aprendi que fomos feitos para sentir e por isso é que se torna tão difícil colocar por palavras, o assombro que são, as diferentes paletes de cor, do sentir...a vida, quando plenamente vivida e sentida, tem mais imaginação que os sonhos! Não existem talvez, palavras escritas que consigam transmitir tão refinada emoção etérea...Não se toca, não se vê, mas está lá!...apenas se sente, no palpitar arrítmico do meu coração e pulsação, no brilho flamejante dos meus postigos. Brilho porque é o fogo do teu amor que mantém a minha tocha acesa, flamejante e cheia de fulgor! É o teu amor que torna possível para mim, ser um Sol de Dia e uma Lua à Noite. Tenho sede e vontade de vida porque tu existes, e tornas este mundo, um lugar mais belo. És a flor mais bonita do meu jardim! Amo o perfume, a essência que exala do teu íntimo, a centelha divina e arrebatadora que arde no teu espírito, pois faz-te único, belo sobre todos os ângulos, sobre todas as luzes!Acredito que desconheces o efeito que tens sobre mim...Tocas e despertas os mais profundos acordes da minha alma, do meu âmago, e por isso, para mim és divino! Tão divino, como a voz deste anjo cantante que te envio através de um link do YouTube... (Ver mensagem “Não estamos sozinhos") se, ao ouvires esta música, a tua alma sofrer uma forte comoção, ao ponto de os teus olhos ficarem rasos de água, conhecerás então, uma infinitésima parte do inefável amor que sinto por ti!...Mesmo assim, estarás ainda, muito longe de conhecer na totalidade, o tamanho do arrebatamento que tenho por ti, meu Anjo! Basta-me evocar na minha memória, o teu cheiro, a tua voz, os teus gestos, as tuas expressões, o modo como dormes ou andas ou os momentos que partilhámos. Dá-me vontade de continuar a correr, saber que ainda temos muito que partilhar e viver. Tatuaste perpetuamente a fogo, a minha alma, o meu coração, a minha memória...O teu amor é curativo e cheio de coragem (=coragem é uma palavra que deriva do francês coeur - coração - tu és pleno de coração, e por isso é que te amo tanto. Permitiste que o amor vencesse e fosse mais forte que todos os medos, possíveis e imaginários), fonte de mil anos de luz. Porque te amo e sou profundamente amada por ti, eu sou uma pessoa melhor, todos os dias!Nestas duas últimas 3 semanas, algo muito estranho acontecia sempre que pensava em ti e no quanto te amo! Fosse às 8 da manhã, às 12 da tarde ou às 2 da madrugada, e era abatida por uma profunda saudade tua, parecia que o meu anjo guia, soprava esta música só para mim, mensagem e lembrança directa do Divino, que agora sopro eu para ti, através do YouTube...
Cheguei à conclusão que de facto Deus é muito mais misterioso e muito mais sofisticado, do que eu e tu possamos imaginar!! LOL Ele também usa o YouTube!?!?...Chegou a acontecer eu ligar a rádio de propósito a pensar o quanto gostaria de ouvir esta música, e não vais acreditar, passado 2 segundos, o meu desejo era atendido, este Anjo (=cantor) aparecia! O mundo está povoado por todas as espécies de anjos, uns visíveis, outros invisíveis...alguns são feitos de carne e sangue e estão mesmo aqui ao lado, presentes e visíveis...somos todos anjos, uns mais perfeitos que outros, portadores de uma centelha divina que arde, ora mais ora menos apaixonadamente... viemos todos a este mundo, como estrangeiros, pois esta, não é a nossa verdadeira pátria, nem morada definitiva...a nossa missão: trabalhar o mundo para o tornar um jardim florido e perfumado, pleno de belas flores...às vezes esquecemos a nossa verdadeira essência, e somos uns autênticos demónios, ou se preferires, umas autênticas pragas de gafanhotos calamitosos, na vida uns dos outros. Oiço esta música, penso em ti, e o meu coração palpita, vivo! Enche-se de força, alegria, esperança e muito amor, pois sei no meu íntimo, que vamos atravessar estes mares turbulentos nunca antes cartografados, sem naufragar, que nos conduzirão a novos continentes, nunca antes descobertos por outros, pois tu e eu, navegamos e somos orientados pelas estrelas do céu, que já escreveram e traçaram, há muito tempo, uma nova etapa da nossa vida, com novas prioridades e discernimento, para uma vida, plena de amor em abundância...de facto, o que não nos derruba torna-nos mais fortes!...Já dizia Platão, que para conhecer o quente é preciso conhecer primeiro o frio. Este é o mundo dicotómico, da dualidade. Por vezes saboreia-se melhor o doce depois de se ter provado o amargo. A minha vida, antes de te conhecer, era uma amargura. Tu és o doce que surgiu como prémio! Tu és a prova viva, de que, depois da tempestade se segue a bonança e não existe chuva que dure para sempre! Mesmo antes de te conhecer, eu desejei-te, atravessei mares nebulosos sem nunca perder a esperança de que te encontraria. E encontrei! Mesmo sabendo, que pouco acreditas em Deus, és para mim, um enviado por Deus, que atendeu as minhas preces de desejo de conhecer o amor encarnado! ... Quando o amargo ficar para trás, e o doce chegar, será tão pleno de amor, que o desânimo, as lágrimas, a dor e a tristeza que temporariamente invadem o nosso coração, darão lugar a uma fonte de vida que jorrará para saciar a nossa sede voraz de vida e de amor. A dor será uma lembrança do passado e o futuro só alegria, por mais um desafio superado.Sempre que desanimares, ouve esta música, porque eu amo-te e estás sempre no meu pensamento, no meu coração. É este amor que sinto por ti, que me agarra pela mão, e me anima para amanhecer para a construção de um mundo melhor, contigo a meu lado (cá dentro, no meu coração, e lá fora, no mar da vida, umas vezes agitado outras tranquilo). Quero que navegues pela vida, que o meu corpo seja o teu barco e tu sejas o capitão ao leme do meu coração, num mar que se descobre, tranquilo e cristalino.Uma fracção da lírica desta música, que muito aprecio, diz:
"If darkness blinds youI...I will shine to guide you"
Eu acrescentaria:
"Just like you do for me, in my darkest hours! You are Sirius, forever my shining star!"
Bem sei que parece que foi ainda ontem, mas há já algum tempo atrás, no inicio do nosso enamoramento, afirmaste que, já dizia o poeta, todas as cartas de amor são ridículas. Aqui tens por escrito, um testemunho em primeira pessoa, de tão prodigiosa verdade...a verdade, conhece múltiplas faces, por isso digo-te outra verdade acerca do ridículo...Ridículo é nunca ter amado intensamente...sou por isso, imensamente rica e privilegiada! Tamanha proeza só foi possível porque tu és essa força da natureza encarnada em carne, sangue e espírito. Deixo-te a lírica desta música que, tal como tu, muito me inspira. Amo-te para além do que as palavras são capazes de materializar,Tua Baby para sempre.
Cláudia Castro Godinho
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Mais um dia passado no Castelo
O objectivo inicial foi colocar um dispositivo sob a pele para facilitar a guerra química. Quando cheguei ao castelo ouvir-se-iam os galos, se houvesse galos em Paris. A preparação foi cuidada com banhos assépticos, depilação, desinfecção e mais desinfecção. Uma vez terminada esta preparação foi-me dada uma nova vestimenta de cor azul e um corte que deixa um pouco a desejar, especialmente porque, na cidade das luzes, seria de esperar um design mais “a la mode”. Depois foi a espera ... a espera interminável até porque o companheiro que me calhou desta vez entrou mudo e saiu calado, mesmo depois de algumas vãs tentativas da minha parte (ainda procurei o meu amigo Pigeon mas helas já teria partido para casa e para junto das suas válvulas e rádios antigos. Bom, pelo menos o ar ficou mais respirável!)
Chegou finalmente a hora e a ansiedade misturou-se com os cheiros característicos do bloco. Um dos senhores de batas verdes começa por dizer o que vai acontecer e eu fixei as suas primeiras palavras: “Vou-lhe dizer como isto se vai passar... para já vai-se passar muito bem!” Essas palavras construíram-me o sorriso que se abriu ainda mais ao ouvir o cantarolar da anestesista. Essa canção vai-me ficar na cabeça, comento eu. Ela ri e confessa que é sempre a mesma. O tom azulado da tenda asséptica que cobre a minha cabeça acalma-me. No entanto, as 3 tentativas para encontrar as vias abertas que permitam a inserção do cateter foram longe de agradáveis. Ao fim de 30 minutos tudo estava terminado e podia contar agora com mais um dispositivo interno completamente dissimulado sob a pele.
Está aberto agora mais um canal na luta contra os caranguejos. Os serviços secretos devem ter tido uma palavra a dizer na abertura deste canal pois, daqui a pouco, nada mesmo se vai notar, já que o pequeno orifício foi mesmo colado para que não haja marcas visíveis do exterior.
Chegou finalmente a hora e a ansiedade misturou-se com os cheiros característicos do bloco. Um dos senhores de batas verdes começa por dizer o que vai acontecer e eu fixei as suas primeiras palavras: “Vou-lhe dizer como isto se vai passar... para já vai-se passar muito bem!” Essas palavras construíram-me o sorriso que se abriu ainda mais ao ouvir o cantarolar da anestesista. Essa canção vai-me ficar na cabeça, comento eu. Ela ri e confessa que é sempre a mesma. O tom azulado da tenda asséptica que cobre a minha cabeça acalma-me. No entanto, as 3 tentativas para encontrar as vias abertas que permitam a inserção do cateter foram longe de agradáveis. Ao fim de 30 minutos tudo estava terminado e podia contar agora com mais um dispositivo interno completamente dissimulado sob a pele.
Está aberto agora mais um canal na luta contra os caranguejos. Os serviços secretos devem ter tido uma palavra a dizer na abertura deste canal pois, daqui a pouco, nada mesmo se vai notar, já que o pequeno orifício foi mesmo colado para que não haja marcas visíveis do exterior.
Não estamos sozinhos
Hoje recebi do amor da minha vida a mensagem mais bonita que alguma vez alguém me enviou. A acompanhar a mensagem vinha este link de uma canção que gostava de partilhar convosco.
http://www.youtube.com/user/ifstudents
JOSH GROBAN
"You Are Loved (Don't Give Up)"
Don't give up
It's just the weight of the world
When your heart's heavy
I...I will lift it for you
Don't give up
Because you want to be heard
If silence keeps you
I...I will break it for you
Everybody wants to be understood
Well I can hear you
Everybody wants to be loved
Don't give up
Because you are loved
Don't give up
It's just the hurt that you hide
When you're lost inside
I...I will be there to find you
Don't give up
Because you want to burn bright
If darkness blinds you
I...I will shine to guide you
Everybody wants to be understood
Well I can hear you
Everybody wants to be loved
Don't give up
Because you are loved
You are loved
Don't give up
It's just the weight of the world
Don't give up
Every one needs to be heard
You are loved
http://www.youtube.com/user/ifstudents
JOSH GROBAN
"You Are Loved (Don't Give Up)"
Don't give up
It's just the weight of the world
When your heart's heavy
I...I will lift it for you
Don't give up
Because you want to be heard
If silence keeps you
I...I will break it for you
Everybody wants to be understood
Well I can hear you
Everybody wants to be loved
Don't give up
Because you are loved
Don't give up
It's just the hurt that you hide
When you're lost inside
I...I will be there to find you
Don't give up
Because you want to burn bright
If darkness blinds you
I...I will shine to guide you
Everybody wants to be understood
Well I can hear you
Everybody wants to be loved
Don't give up
Because you are loved
You are loved
Don't give up
It's just the weight of the world
Don't give up
Every one needs to be heard
You are loved
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Comidas e amiguinhos
Com aqueles bichinhos vorazes aqui por dentro, há que atentar ao que se ingere, fazer esforço todos os dias para que os apetites não esmoreçam, procurar alimentos que me sirvam de nutrimento e que ao mesmo tempo esganem os caranguejos despudorados.
Não me vejo como esquisito de boca mas alguns alimentos não atravessam a garganta desde pequeno. Lembro-me de, apenas uma vez, ter ido à caça. Devia rondar os meus 7, 8 anos de idade e o drama passou-se numa quinta perto da Guarda onde o meu padrinho possuía uma quinta. Um belo dia o pai do meu padrinho convidou-me para o acompanhar à caça. Não me lembro das sensações iniciais, provavelmente de excitação e expectativa. Lembro-me apenas de um incidente depois de um tiro certeiro. Os cães explorando o terreno e nós “zanzando” de um lado para o outro em busca do almejado troféu. E surpresa das surpresas sou eu próprio que dou com um amontoado de penas em aflita agonia. Essa imagem ficou-me até agora marcada na memória. Se desenhar fosse uma possibilidade para mim, seria capaz de o descrever como se hoje tivesse acontecido. Nessa noite o jantar foi passarinhos! Não fui capaz de comer. Felizmente ninguém me obrigou. Até agora não sou capaz de comer aves abaixo do tamanho de um frango.
Num outro dia, num outro espaço, trata-se agora da casa da minha avó paterna, recordo a minha exaltação quando a primeira vez tive a oportunidade de brincar com os coelhinhos com alguns dias de vida. Aquele pelo macio, o arfar ritmado dos seus narizes húmidos e um sem número de outras sensações agradáveis... Não é necessário avançar muito na história para se perceber onde vai parar... Ao prato naturalmente! Lembro-me de meter à boca um pedaço e de sentir pela primeira vez a minha vida a sensação de vómito. Estava claro! Não era capaz! Mas alguém, alguma vez, é capaz de comer os seus amiguinhos?!
Não me vejo como esquisito de boca mas alguns alimentos não atravessam a garganta desde pequeno. Lembro-me de, apenas uma vez, ter ido à caça. Devia rondar os meus 7, 8 anos de idade e o drama passou-se numa quinta perto da Guarda onde o meu padrinho possuía uma quinta. Um belo dia o pai do meu padrinho convidou-me para o acompanhar à caça. Não me lembro das sensações iniciais, provavelmente de excitação e expectativa. Lembro-me apenas de um incidente depois de um tiro certeiro. Os cães explorando o terreno e nós “zanzando” de um lado para o outro em busca do almejado troféu. E surpresa das surpresas sou eu próprio que dou com um amontoado de penas em aflita agonia. Essa imagem ficou-me até agora marcada na memória. Se desenhar fosse uma possibilidade para mim, seria capaz de o descrever como se hoje tivesse acontecido. Nessa noite o jantar foi passarinhos! Não fui capaz de comer. Felizmente ninguém me obrigou. Até agora não sou capaz de comer aves abaixo do tamanho de um frango.
Num outro dia, num outro espaço, trata-se agora da casa da minha avó paterna, recordo a minha exaltação quando a primeira vez tive a oportunidade de brincar com os coelhinhos com alguns dias de vida. Aquele pelo macio, o arfar ritmado dos seus narizes húmidos e um sem número de outras sensações agradáveis... Não é necessário avançar muito na história para se perceber onde vai parar... Ao prato naturalmente! Lembro-me de meter à boca um pedaço e de sentir pela primeira vez a minha vida a sensação de vómito. Estava claro! Não era capaz! Mas alguém, alguma vez, é capaz de comer os seus amiguinhos?!
terça-feira, 13 de maio de 2008
Isto anda um bocado parado
Não sei o que me leva hoje a falar-vos de minas. É qualquer coisa que se passa cá nos meus interiores e que não anda nem deixa andar.
Há vários tipos de minas, umas são mais grossas outras mais delgadas mas no final trata-se sempre de um trabalho “sujo”.
São frequentes os bloqueios nos túneis, mas são de há muito conhecidas as melhores estratégias para abrir alas. Por tradição, uma das formas mais comuns é o recurso a explosões. As técnicas pirotécnicas que temos utilizado são daquelas dignas de fazer corar o Sr. Pingeon.
As razões porque me encontro neste estado são agora conhecidas. Infelizmente os produtos usados para amenizar os efeitos indesejáveis das picadelas de caranguejos são vendidos em embalagens muito parecidas com as bisnagas de cola e na confusão tenho ingerido doses massivas de UHU. Ontem, no entanto descobri o antídoto: Um Big Mac bem suprido de todos os molhos disponíveis.
Há vários tipos de minas, umas são mais grossas outras mais delgadas mas no final trata-se sempre de um trabalho “sujo”.
São frequentes os bloqueios nos túneis, mas são de há muito conhecidas as melhores estratégias para abrir alas. Por tradição, uma das formas mais comuns é o recurso a explosões. As técnicas pirotécnicas que temos utilizado são daquelas dignas de fazer corar o Sr. Pingeon.
As razões porque me encontro neste estado são agora conhecidas. Infelizmente os produtos usados para amenizar os efeitos indesejáveis das picadelas de caranguejos são vendidos em embalagens muito parecidas com as bisnagas de cola e na confusão tenho ingerido doses massivas de UHU. Ontem, no entanto descobri o antídoto: Um Big Mac bem suprido de todos os molhos disponíveis.

domingo, 4 de maio de 2008
Dois dias de visita
A entrada - A chegada ao castelo foi algo atribulada. Acabada a subida, e no momento em que o fôlego ainda faltava, logo se instalava a dúvida se afinal sempre haveria lugar para mais um combatente. Pelo que parecia ninguém sabia da nossa chegada e só o aparecimento do general dissipou qualquer dúvida. Ia mesmo ficar! E logo a seguir, surpresa das surpresas, fiquei a saber que a guerra química se ia iniciar. Mas afinal que guerra é essa que se anuncia antes de cada ataque? Assim nem 15 minutos ainda tinham passado e estava já no centro de operações com a química bem dirigida aos caranguejos.
Monsieur Pigeon – A caserna em que me abriguei não estava preparada para mais um ... Foi essa a dificuldade já reportada anteriormente, mas o esforço directo do general fez com que desencantassem um pequeno buraco. No quarto, um companheiro, o Mr. Pigeon., um septuagenário na reforma amante de rádios antigos, ex fotógrafo da ministério da justiça em França. Já se vê mesmo onde a conversa foi parar nos primeiros minutos! O Mr Pigeons, da família dos ”Pombos” em Portugal, conhece, como as suas próprias mãos, os rádios antigos e todas as suas componentes. A razão porque aqui está prende-se com um infeliz incidente: De tanto admirar boquiaberto uma daquelas válvulas antigas, engoliu-a ficando agora alojada no esófago. Isso até não seria muito grave se por esse facto não tivesse que receber toda a sua alimentação através de tubos, o que lhe provoca abundantes gases.
A caserna – Desenganem-se os que pensam que as casernas foram feitas para descansar. A toda a hora são audíveis os alarmes de todos os dispositivos disponíveis. Para agravar o vozeirão do sargento que amiúde decide falar, com quem quer que seja, como se estivesse no meio do deserto e não houvesse rede nos telemóveis. Os sons que profusamente abandonavam os interiores do meu companheiro, ainda eram o que menos me preocupava.
O “Rancho” – O rancho é o rancho não há palavras que o consigam definir ... pelo menos no dicionário de pessoas bens comportadas.
As pessoas – Esta foi, sem dúvida, uma das melhores surpresas. Quando entramos num castelo o que esperamos é aspereza de modos, sacudidelas de casaco e esgares fugidios. Aqui, com raríssimas excepções, foi tudo ao contrário. Parecia rodeado de anjos, anjos sorridentes, sempre com uma palavra amável! Desde a limpadora das muralhas, até ao eficaz general, passando pelos seus assistentes, todos fizeram para que a passagem pelo castelo fosse o mais agradável possível. “Vive la France!
Monsieur Pigeon – A caserna em que me abriguei não estava preparada para mais um ... Foi essa a dificuldade já reportada anteriormente, mas o esforço directo do general fez com que desencantassem um pequeno buraco. No quarto, um companheiro, o Mr. Pigeon., um septuagenário na reforma amante de rádios antigos, ex fotógrafo da ministério da justiça em França. Já se vê mesmo onde a conversa foi parar nos primeiros minutos! O Mr Pigeons, da família dos ”Pombos” em Portugal, conhece, como as suas próprias mãos, os rádios antigos e todas as suas componentes. A razão porque aqui está prende-se com um infeliz incidente: De tanto admirar boquiaberto uma daquelas válvulas antigas, engoliu-a ficando agora alojada no esófago. Isso até não seria muito grave se por esse facto não tivesse que receber toda a sua alimentação através de tubos, o que lhe provoca abundantes gases.
A caserna – Desenganem-se os que pensam que as casernas foram feitas para descansar. A toda a hora são audíveis os alarmes de todos os dispositivos disponíveis. Para agravar o vozeirão do sargento que amiúde decide falar, com quem quer que seja, como se estivesse no meio do deserto e não houvesse rede nos telemóveis. Os sons que profusamente abandonavam os interiores do meu companheiro, ainda eram o que menos me preocupava.
O “Rancho” – O rancho é o rancho não há palavras que o consigam definir ... pelo menos no dicionário de pessoas bens comportadas.
As pessoas – Esta foi, sem dúvida, uma das melhores surpresas. Quando entramos num castelo o que esperamos é aspereza de modos, sacudidelas de casaco e esgares fugidios. Aqui, com raríssimas excepções, foi tudo ao contrário. Parecia rodeado de anjos, anjos sorridentes, sempre com uma palavra amável! Desde a limpadora das muralhas, até ao eficaz general, passando pelos seus assistentes, todos fizeram para que a passagem pelo castelo fosse o mais agradável possível. “Vive la France!
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